Planejador de fim de vida: tudo o que eles vão precisar saber

Um documento gratuito para imprimir com tudo escrito: dezoito seções com as respostas de que sua família vai precisar, para que ninguém tenha de adivinhar no pior momento possível. Vinte e sete páginas impressas, de graça.

Seção 17, a lista da primeira semana Seção 1, onde encontrar as coisas A capa do planejador

Vinte e sete páginas. Acima: a capa, a seção 1 e a lista que sua família vai ler primeiro.

Um planejador de fim de vida — também chamado de caderno ou pasta de fim de vida — é um documento único que diz onde estão seus papéis, quem precisa ser avisado, quais tratamentos você aceita e quais recusa, e como você quer que seja o seu funeral. Não é um testamento e não tem valor jurídico. Ele existe para poupar de quem você ama cem perguntas pequenas e exaustivas na primeira semana — e para levar essa pessoa até os documentos que, esses sim, valem.

Quase tudo contra o que uma família enlutada luta naquela primeira semana não é a dor. É burocracia. Onde está a apólice. Ela queria ser cremada. Qual é a senha do celular dele. Para quem ainda não ligamos. Essas perguntas vão aparecer de todo jeito. A única coisa que você decide é se responde agora, com calma e com a sua letra — ou se deixa alguém que você ama adivinhar enquanto organiza um velório.

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Escrevemos uma única vez, daqui a uns três meses, para perguntar como foi. Nada além disso. Para sair da lista basta um clique.

Obrigado. O arquivo está aqui embaixo, e continua nesta página se você quiser voltar depois.

O que tem dentro de um planejador de fim de vida

O planejador tem dezoito seções. Você não precisa preencher na ordem, e não precisa terminar. Uma página pela metade vale infinitamente mais do que uma página em branco.

  1. Onde encontrar as coisas. O lugar de cada documento, não o que está escrito nele.
  2. Sobre mim. Os poucos dados que todo formulário pede: nome completo, CPF, RG e órgão emissor, PIS/PASEP, título de eleitor, naturalidade, nome dos pais.
  3. As pessoas que precisam saber. Na ordem em que devem saber, e quem faz cada ligação.
  4. Contatos profissionais. Médico, advogado, contador, banco, empregador, plano funerário.
  5. Dinheiro e contas. Quais bancos, que tipo de conta, só os quatro últimos dígitos.
  6. Seguros, previdência e benefícios. Apólices, previdência privada, INSS — e quem está nomeado como beneficiário.
  7. Pagamentos recorrentes. O que cancelar e, mais importante, o que não pode ser cancelado.
  8. Minha vida digital. O que fechar, o que guardar e o que é melhor não abrir.
  9. A casa. O registro de água, o código do alarme, o aquecedor, o dia do lixo.
  10. Quem depende de mim. Filhos, animais, qualquer pessoa de quem você cuida.
  11. Minhas vontades médicas. Escritas aqui e depois levadas aos documentos que valem.
  12. Meu funeral. Sepultamento ou cremação, com ou sem cerimônia, quem fala e o que você odiaria.
  13. Onde eu gostaria de descansar. Com permissão explícita para escrever: “o que for mais fácil para vocês”.
  14. Coisas com história. Não o que vale dinheiro, mas o que carrega uma história que sumiria junto com você.
  15. Coisas que eu quero que vocês saibam. Três páginas perfeitamente inúteis.
  16. Uma carta. Para uma pessoa, com nome.
  17. Para quem estiver com este livro. Uma lista para a primeira semana, escrita para quem carrega o peso maior.
  18. Mais alguma coisa.

Como são as páginas

Cada página é um formulário com as perguntas já feitas. Você preenche as lacunas ou pula.

As seis que realmente importam

Se você preencher só seis das dezoito seções, preencha estas. São as que uma família agarra nas primeiras setenta e duas horas, e as que ficam quase impossíveis de reconstruir assim que ninguém mais pode perguntar a você.

Seção 1, onde encontrar as coisas. Uma página com o lugar físico de cada documento: testamento, escritura e matrícula do imóvel, apólices, RG e CPF, certidões de nascimento e casamento. Não o que está escrito neles, mas onde estão. É a seção que mais vezes poupa da família um dia inteiro de procura.

Seção 2, sobre você. Nome completo, CPF, RG com órgão emissor, PIS/PASEP, título de eleitor, naturalidade e o nome completo da mãe. O cartório, o banco, a seguradora e o INSS pedem cada um um pedaço diferente disso, e filhos adultos muitas vezes não sabem de cor o nome de solteira da mãe.

Seção 6, seguros, previdência e benefícios. Seguro de vida é o que mais fica sem ser pedido depois de uma morte. Uma apólice feita há trinta anos, atrelada a um financiamento ou a um banco que já foi comprado por outro, não é paga porque ninguém sabia que existia. Uma linha com o nome da seguradora resolve. Anote também a previdência privada e o INSS: a pensão por morte é esquecida com frequência.

Seção 7, pagamentos recorrentes. Quais débitos parar e — a metade que todo mundo esquece — quais precisam continuar. O seguro de uma casa vazia dá prejuízo de verdade quando é cancelado.

Seção 11, vontades médicas. Escritas aqui em linguagem comum e depois passadas para as diretivas antecipadas de vontade. As famílias tomam essas decisões de um jeito muito mais tranquilo depois de ler uma frase escrita com a sua letra do que tendo de imaginar o que você teria querido.

Seção 12, o seu funeral. Sepultamento ou cremação, com ou sem cerimônia, e uma ou duas coisas que você odiaria. A funerária faz umas quarenta perguntas na primeira conversa, e a família responde em menos de vinte e quatro horas.

O que acontece de verdade quando nada está escrito

Nada de dramático. É exatamente esse o problema. Ninguém perde a casa por falta de um formulário. O que acontece é menor e mais desgastante, e acontece em quase toda família.

Alguém passa a segunda tarde revirando uma pasta atrás do número de uma apólice, porque a seguradora se recusa a falar sem esse número. Outra pessoa liga para quatro bancos perguntando se o pai tinha conta ali, e em todos ouve que não podem informar. Dois irmãos discutem, educadamente no começo, sobre se a mãe queria ser cremada, e nenhum dos dois sabe. Uma assinatura continua sendo debitada por quatorze meses. Um notebook fica travado, e as fotos que estavam nele simplesmente sumiram.

Nada disso é uma catástrofe. Tudo isso é evitável, e tudo isso cai em cima da pessoa menos capaz de carregar, na semana em que ela está menos capaz. Este planejador não tira a dor. Ele tira a burocracia que se mistura com a dor e a torna pior.

Isso é a mesma coisa que um testamento?

Não. Cada um faz uma coisa diferente, e nenhum substitui o outro. Este planejador é um documento pessoal, sem efeito jurídico; o testamento, as diretivas antecipadas de vontade e a procuração são documentos de direito. O valor real dele é dizer à sua família que esses documentos existem e onde estão.

DocumentoDo que trataObriga?
Planejador de fim de vida (este livro)Onde está cada coisa, quem avisar, o que você querNão
TestamentoQuem herda o quê, respeitada a legítima dos herdeiros necessáriosSim
Diretivas antecipadas de vontadeQuais tratamentos você aceita e quais recusaSim
Procurador de saúdeQuem fala por você quando você não puder falarSim
ProcuraçãoQuem cuida dos seus assuntos em vidaSim
Beneficiário da apólicePara quem o seguro de vida é pagoSim

No Brasil, metade do patrimônio é reservada por lei aos herdeiros necessários — descendentes, ascendentes e cônjuge — e o testamento só dispõe livremente da outra metade. O seguro de vida com beneficiário nomeado não entra no inventário e é pago direto a quem está na apólice, mesmo que o testamento diga outra coisa. Este livro serve para acompanhar esses documentos, nunca para substituí-los.

As palavras mudam de país para país

É a principal razão pela qual uma lista genérica não funciona fora do país onde foi escrita. Se você disser a uma família brasileira para procurar um “living will”, ela vai procurar uma coisa que não existe com esse nome. Cada edição deste livro usa as palavras e as instituições do seu país.

Brasil. As diretivas antecipadas de vontade registram os tratamentos que você aceita ou recusa, e é comum fazê-las por escritura pública em um cartório de notas, com cópia no prontuário. A procuração diz quem cuida dos seus assuntos em vida. O inventário transfere os bens, judicial ou por escritura pública em cartório quando não há testamento e todos os herdeiros são maiores, capazes e estão de acordo — com advogado nos dois casos. O cartório de registro civil emite a certidão de óbito, e a certidão de testamento, pedida em qualquer cartório de notas, diz se existe testamento registrado.

Portugal. Os nomes são outros: o testamento vital fica no RENTEV, a habilitação de herdeiros faz o papel do nosso inventário, e a participação de óbito corre pelas Finanças. Este livro foi escrito para o Brasil; em Portugal ele serve como roteiro, mas os documentos têm outros nomes.

Estados Unidos. O termo geral é advance directive, que costuma reunir um living will e um healthcare proxy. O dinheiro corre em separado por uma durable power of attorney; o patrimônio pode ficar em um revocable living trust, e é a HIPAA authorization que autoriza um hospital a dizer qualquer coisa.

Países Baixos. Uma wilsverklaring registra as vontades médicas, e um levenstestament feito em cartório diz quem pode agir por você em vida. Os testamentos ficam no Centraal Testamentenregister, e o banco exige uma verklaring van erfrecht.

Alemanha. A Patientenverfügung define os tratamentos e a Vorsorgevollmacht diz quem decide por você. Os testamentos ficam no Zentrales Testamentsregister e muitos bancos pedem o Erbschein.

Espanha. As vontades médicas ficam no documento de instrucciones previas, inscrito no registro da comunidade autônoma. Depois da morte, a família pede o certificado de últimas voluntades para saber se há testamento.

Cada um desses parágrafos é um resumo, não uma explicação completa, e as leis mudam. O livro nomeia os documentos para que sua família saiba o que procurar; para redigi-los, procure um advogado ou um cartório.

Nunca escreva suas senhas aqui

Este livro não tem, de propósito, nenhum campo para senha, PIN ou número completo de cartão. Ele anota apenas onde essas coisas estão guardadas: um gerenciador de senhas, um envelope lacrado, um cofre.

Essa regra sozinha é o que permite que um livro preenchido durma tranquilo numa gaveta. Um livro cheio de respostas práticas serve à sua família; um livro cheio de senhas serve a quem quer que o encontre — inclusive a um ladrão ou a alguém que veio ver o imóvel. Escreva “1Password, minha irmã tem a senha mestra” e sua família tem tudo de que precisa sem que suas contas fiquem abertas para o mundo.

Onde guardar e quem precisa saber

Diga a uma pessoa onde o livro está. Essa frase é a coisa mais importante de todas: um livro perfeitamente preenchido que ninguém encontra não serviu para nada.

Guarde onde sua família consiga pegar sem juiz e sem inventário. Um cofre em casa ou uma gaveta com etiqueta funcionam melhor do que um cofre de banco, porque o acesso pode ficar travado depois da morte até que o inventário avance — exatamente quando as vontades de funeral são necessárias. Se os originais estão no banco, deixe este livro em casa apontando para eles.

Como falar disso com os pais sem que a conversa desande

A maioria de quem lê isto não está preocupada com os próprios papéis. Está preocupada com os da mãe ou do pai, e já pressente que a conversa vai ser difícil.

O que funciona não é pedir que eles preencham. O que funciona é preencher o seu e comentar de passagem. “Fiz o meu, levou uma hora, quer um?” não soa nem de longe como “precisamos falar sobre o que acontece quando você morrer”. Uma é uma coisa que a família faz. A outra é uma coisa que se impõe a alguém.

Três detalhes ajudam. Peça uma seção, não o livro inteiro: a seção 1, onde encontrar as coisas, é prática, sem carga emocional, e é a que recebe sim mais rápido. Faça na mesa, com caneta, não por telefone. E não emende, na mesma conversa, as páginas médicas e as de funeral; elas costumam vir semanas depois, muitas vezes por iniciativa dos próprios pais, quando as páginas práticas já estão preenchidas.

Se disserem não, é não, e está tudo bem. Deixe a cópia impressa à vista. Um número surpreendente de pais preenche caladinho alguns meses depois e comenta como quem não quer nada.

O que fazer quando alguém morre: a primeira semana

Quase nada nesta lista precisa ser feito hoje. É a lista da seção 17 do livro, escrita para quem está com ele na pior semana da vida. Vá na ordem e pare quando precisar.

  1. Conseguir a declaração de óbito. Nada começa antes disso. No hospital, o próprio médico emite; em casa, chame o médico que acompanhava ou o SAMU. Em morte violenta ou sem causa definida, o corpo vai para o IML e a declaração sai de lá.
  2. Chamar a funerária. Ela cuida de muito mais do que se imagina, inclusive de levar os documentos ao cartório. Se existe plano funerário, ligue para ele antes de contratar qualquer coisa — está na seção 4 do livro.
  3. Registrar o óbito no cartório de registro civil. O registro é feito com a declaração de óbito e costuma ser providenciado pela funerária; a lei manda registrar em vinte e quatro horas e admite até quinze dias quando isso não for possível. Peça várias vias da certidão de óbito — cinco a dez.
  4. Procurar o testamento e avisar quem vai ser inventariante. Peça a certidão de testamento em qualquer cartório de notas: a busca é nacional. Se houver um testamento em papel em casa, não abra por conta própria.
  5. Organizar o funeral. Seção 12 do livro. Se nada estiver escrito: sepultamento ou cremação é a primeira pergunta, o resto pode esperar. Para cremar é preciso vontade manifestada em vida ou autorização da família, e autorização judicial quando a morte foi violenta ou de causa indeterminada.
  6. Avisar o empregador e o plano de saúde. Peça as verbas rescisórias, o seguro de vida em grupo e o saldo do FGTS.
  7. Falar com o INSS sobre a pensão por morte. Pelo Meu INSS ou pelo 135. Se o pedido é feito logo, o benefício é pago desde a data da morte; se demora, só a partir da data do pedido.
  8. Avisar bancos e seguradoras. Leve uma certidão de óbito. As contas individuais ficam bloqueadas até o inventário, mas saldos até um limite legal, além de FGTS, PIS/PASEP e restituição de imposto de renda, podem ser pagos aos dependentes sem inventário. Ninguém oferece: pergunte.
  9. Procurar um advogado sobre o inventário. Se não há testamento e todos os herdeiros são maiores, capazes e estão de acordo, ele pode ser feito por escritura pública em cartório, o que é bem mais rápido. Advogado é obrigatório nos dois caminhos.
  10. Cancelar o que precisa ser cancelado. Seção 7. Deixe correndo o que precisa continuar, em especial o seguro de um imóvel vazio.
  11. Deixe alguém cozinhar para você. Sério. Coloque na lista.

Não é urgente, digam o que disserem: esvaziar a casa, responder todas as mensagens, decidir o destino das roupas, ficar bem.

Um prazo merece ser anotado: o inventário deve ser aberto em até dois meses da morte, senão o ITCMD, que é o imposto estadual sobre a herança, costuma vir com multa. A alíquota, o prazo e a multa variam de estado para estado. Ninguém precisa pensar nisso na primeira semana, mas alguém precisa pensar no primeiro mês.

Quantas certidões de óbito são necessárias?

Conte de cinco a dez vias. Bancos, seguradoras, INSS, cartórios, imobiliária e órgãos públicos querem cada um a sua e não devolvem.

Pedir todas de uma vez no momento do registro, pela funerária, é mais rápido do que voltar meses depois — ainda que o cartório possa emitir novas vias a qualquer tempo. Para contas e imóveis vão pedir também a documentação do inventário.

Uma página pela metade vale infinitamente mais do que uma página em branco.

Quando é que se preenche uma coisa dessas?

Antes de achar que precisa. Quem termina este livro com calma começou anos cedo demais; quem nunca termina começou depois de um diagnóstico.

Há três momentos em que alguém procura um documento assim. Às vezes é um aniversário redondo ou um testamento finalmente assinado. Às vezes é um pai ou uma mãe chegando na idade em que os filhos adultos começam a se preocupar baixinho. E às vezes é um diagnóstico, quando as perguntas já estão apertando. Os três são legítimos. Se você está no terceiro, comece pelas seções 1, 11 e 12 — onde está cada coisa, vontades médicas, funeral — e deixe o resto.

Depois, releia uma vez por ano e risque o que não é mais verdade. Contas fecham, pessoas mudam de endereço, a gente muda de ideia sobre a música. Na página 2 há uma linha para a data da última releitura.

Um pequeno glossário

As palavras que você tem mais chance de encontrar, na ordem em que vai encontrá-las.

  • Diretivas antecipadas de vontade — o documento escrito com os tratamentos que você aceita e os que recusa caso não possa mais se manifestar. Também chamado de testamento vital.
  • Procurador de saúde — a pessoa que você nomeia por escrito para falar por você diante dos médicos quando você não puder.
  • Procuração — o instrumento pelo qual você diz quem cuida dos seus assuntos em vida. Ela perde efeito com a morte.
  • Declaração de óbito — o documento médico que atesta a morte. É com ele que se registra o óbito no cartório.
  • Certidão de óbito — a certidão emitida pelo cartório de registro civil. Quase toda providência exige uma via.
  • Certidão de testamento — a consulta nacional, pedida em qualquer cartório de notas, que diz se a pessoa deixou testamento registrado.
  • Inventário — o processo que apura os bens e transfere a herança. Judicial, ou por escritura pública em cartório quando não há testamento e todos os herdeiros são maiores, capazes e estão de acordo.
  • Inventariante — quem administra os bens e responde pelo inventário até a partilha.
  • Herdeiros necessários — descendentes, ascendentes e cônjuge, que têm direito por lei à metade do patrimônio, a legítima, independentemente do testamento.
  • ITCMD — o imposto estadual sobre herança e doação. Alíquota, prazo e multa variam conforme o estado.
  • Pensão por morte — o benefício do INSS pago aos dependentes. Não existe formulário de beneficiário: quem tem direito é definido por lei e precisa pedir.
  • Beneficiário — quem está nomeado na apólice de seguro de vida ou na previdência privada. Recebe direto, fora do inventário.
  • Alvará judicial — a autorização do juiz para levantar um valor específico sem esperar o inventário inteiro.

Imprimir em A4

O livro é diagramado em A4, então o arquivo entra em qualquer impressora sem ajuste nenhum. Ele foi pensado para impressão só de um lado, para a tinta não atravessar quando você escreve, mas frente e verso também funciona e economiza metade do papel.

Este livro é um documento pessoal, não é consultoria jurídica, e as leis mudam. Tudo o que realmente importa merece a conferência de um advogado ou de um cartório.

Por que fizemos isso e por que é de graça

A Still With Me publica cadernos de perguntas para quem perdeu alguém. Tudo o que publicamos fica do outro lado de uma morte: as perguntas, os capítulos, o espaço para escrever sobre alguém que não volta.

Esta é a única coisa que fazemos deste lado de cá. Veio das mesmas pesquisas e das mesmas conversas — centenas de relatos sobre o que aquela primeira semana é de verdade — e quase todos apontavam para a mesma coisa. Quem recebeu uma página com respostas práticas falava daquela semana de um jeito completamente diferente de quem não recebeu. Não menos triste. Só com menos daquele pânico surdo e desgastante de não saber uma coisa que não dá mais para perguntar.

É de graça porque cobrar destruiria a ideia, e porque ele não é o produto. Se ele ajudar e um dia você ou alguém da sua família precisar do outro tipo de caderno, você sabe onde nos encontrar. Não é nada além disso.

Escrito e mantido pela Still With Me. Documento pessoal, não é consultoria jurídica nem orientação médica. Revisado à luz do direito de cada país em que é publicado e atualizado uma vez por ano — mas as leis mudam, e tudo o que realmente importa merece a opinião de um profissional do seu país. Dúvidas: hello@stillwithmejournal.com.

Perguntas frequentes

O livro é mesmo de graça?

É. Vinte e sete páginas para imprimir, sem custo, sem instalar nada e sem etapa de pagamento. Nós vendemos os cadernos de perguntas; este aqui não está atrás de nenhum caixa.

Um planejador de fim de vida tem valor jurídico?

Não. É um documento pessoal. Ele não decide quem herda e não obriga nenhum médico. Existe para registrar as respostas práticas e para mostrar à sua família o caminho até os documentos que valem: testamento, diretivas antecipadas de vontade, procuração.

O que não deve entrar nele?

Senhas, PINs, números completos de conta e dados de cartão. Escreva onde essas coisas estão. Nada que um estranho não possa ler deve estar num livro guardado numa gaveta.

Para quem ele é?

A maioria preenche para si. Filhos adultos costumam preencher junto com um dos pais — o que fica bem mais fácil se você preencher o seu ao lado, para que pareça uma coisa que a família faz e não uma exigência feita a uma pessoa.

Quanto tempo leva para preencher?

As seções 1, 11 e 12 levam cerca de uma hora e cobrem quase tudo de que uma família precisa na primeira semana. O livro inteiro costuma ser preenchido aos poucos, ao longo de alguns meses.

Onde devo guardar?

Em casa, num lugar que sua família alcance sem juiz e sem inventário — um cofre ou uma gaveta com etiqueta — e conte a pelo menos uma pessoa onde ele está. Não guarde a única cópia num cofre de banco, cujo acesso pode ficar travado depois da morte.

Posso imprimir frente e verso?

Pode. Ele foi pensado para um lado só, para a tinta não atravessar quando você escreve, mas frente e verso funciona igual e economiza metade do papel. O arquivo é A4.

Vocês vão me mandar mais alguma coisa depois do download?

Um e-mail, daqui a uns três meses, perguntando como foi, com algumas perguntas de escrita. Nada além disso, e sair da lista leva um clique.

Isso é a mesma coisa que diretivas antecipadas de vontade?

Não. As diretivas antecipadas são um documento médico, geralmente feito por escritura pública num cartório de notas e com cópia no prontuário. Este livro registra suas vontades em linguagem comum e, principalmente, diz à sua família que esse documento existe e onde está. Faça os dois.

O beneficiário da apólice vale mais do que o testamento?

No seguro de vida, sim: o valor é pago direto a quem está nomeado na apólice, fora do inventário e livre das dívidas do espólio, mesmo que o testamento diga outra coisa — e um formulário assinado há trinta anos às vezes ainda nomeia o cônjuge anterior. O livro pede que você anote, para cada apólice, quem está nomeado, para que isso possa ser conferido.

Qual é a primeira coisa a fazer quando um pai ou uma mãe morre?

Conseguir a declaração de óbito e depois chamar a funerária. Todo o resto — testamento, banco, INSS, assinaturas — pode esperar dias ou semanas, por mais alta que a pilha de papel pareça. A ordem completa está na seção 17.

Como convenço meus pais a preencher?

Preencha o seu primeiro e comente, em vez de pedir que eles preencham o deles. Depois peça uma seção, não o livro: a seção 1, onde encontrar as coisas, é prática e sem carga emocional, e a maioria das pessoas diz sim. As páginas médicas e as de funeral são outra conversa.

Isso substitui o advogado ou o cartório?

Não, e não é essa a intenção. Ele não tem efeito jurídico. O que ele faz é deixar o trabalho do advogado e do contador mais rápido e mais barato, porque as informações que normalmente se procura em horas cobradas já estão numa página.

Posso preencher no computador em vez de imprimir?

O PDF foi feito para ser impresso e preenchido à mão, e é justamente isso que o torna útil quando uma tela está bloqueada e ninguém sabe a senha. Se preferir digitar, a maioria dos programas de PDF permite acrescentar campos de texto — mas deixe uma cópia impressa em algum lugar onde sua família consiga encontrar fisicamente.

A Still With Me publica cadernos de perguntas para quem perdeu alguém: oitenta perguntas delicadas em nove capítulos, em edições construídas em torno de uma perda específica. Se você chegou aqui porque alguém já morreu: os cadernos são organizados por vínculo, e existem 25 perguntas gratuitas de escrita sobre o luto para começar. Se o que você procura é acolhimento e não burocracia, mantemos uma lista de onde encontrar ajuda.