O que dar para alguém que perdeu a mãe?
Dê algo que fique: um diário de luto onde ela possa escrever as histórias, os jeitos de falar e os hábitos da mãe dela. Um livro assim ainda vai estar ali daqui a três meses, quando o silêncio já tiver chegado e a saudade estiver maior. Pode mandar junto com as flores.
Você abriu o WhatsApp, começou a digitar e apagou a mensagem três vezes. A mãe de alguém que você ama morreu, e nada do que você pensa em comprar parece certo. Flores parecem passageiras demais. Um cartão parece pequeno diante do tamanho da perda. Uma cesta de presentes parece feita para outra ocasião. Não existe presente que resolva isso. Mas existem gestos que dizem eu vi o que você perdeu, e eu não vou a lugar nenhum — e isso importa mais do que a maioria imagina.
Por que flores e cartões não bastam
Na primeira semana depois de uma perda, a casa costuma ficar cheia: flores, mensagens, gente passando para dar um abraço. Já na terceira semana, o silêncio chega. As visitas pararam, o grupo de WhatsApp esfriou, e é exatamente aí que o luto se instala de verdade. O melhor presente de conforto não é o do velório. É o dos meses que vêm depois, quando todo mundo já voltou à rotina e ela ainda não.
Então, em vez de perguntar o que costuma se dar nessas horas, vale fazer outra pergunta: o que ainda vai significar alguma coisa daqui a três meses?
O que realmente conforta
Algo que guarde a lembrança da mãe dela, junto com ela. O medo mais profundo depois de perder a mãe não é a tristeza — é esquecer. O som da voz dela. O jeito que ela atendia o telefone. A letra dela no caderno de receitas. Um presente que ajuda a guardar esses detalhes faz algo que nenhum buquê consegue.
Algo sem prazo de validade. O luto não segue calendário, e o presente certo também não deveria. Evite qualquer coisa que sugira um programa, um cronograma ou uma linha de chegada.
Algo a que ela possa voltar sempre. Uma vela que ela acende nas noites mais difíceis. Um livro que ela abre no domingo de manhã. Um conforto que volta sempre vale mais do que um conforto que acontece uma vez só.
O diário de luto que ajuda a manter a mãe dela por perto
Foi por isso que criamos o diário de luto Still With Me. Não é um diário qualquer nem um caderno de exercícios: são oitenta perguntas delicadas em nove capítulos para escrever o que fica — as histórias, os jeitos de falar, os pequenos hábitos que faziam da mãe dela ela mesma. Perguntas como “O que ela fazia melhor do que ninguém?” e “O que eu ainda queria contar para ela?”, no ritmo dela. Existe também uma edição em que todas as perguntas falam de uma mãe.
Conhecer o diário de luto para quem perdeu a mãe →
O que escrever no cartão que acompanha o presente
Se você escolher um diário de luto — o nosso ou qualquer outro — o cartão que vai junto faz diferença. Escreva do jeito que você fala com ela, e mantenha curto:
“Eu sei que nada torna isso mais fácil. Só queria te dar algo onde guardar as lembranças. Ela era inesquecível, e o que ela deixou em você também é.”
Não explique o presente. Não diga que ela vai se sentir melhor. Só diga que a mãe dela importava, e que você também se lembra dela.
E depois: continuar falando dela
O presente é um momento. O que conta depois é você continuar falando da mãe dela. Anote a data da morte e o aniversário dela e mande uma mensagem nesses dias. Conte de vez em quando alguma lembrança sua. Para quem está de luto, esse costuma ser o maior presente: perceber que outra pessoa também não esqueceu a mãe dela.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor momento para mandar um presente desses?
Nos primeiros dias, chega tudo ao mesmo tempo. Um presente que chega quatro ou seis semanas depois costuma cair justamente quando o silêncio começa. Não existe momento errado — meses depois também é uma boa hora.
Dar um presente em caso de falecimento é apropriado?
Sim, desde que o presente não cobre nada dela. Algo para guardar ou para escrever deixa que ela decida quando abrir. O que pede uma resposta pode pesar.
O que dar se você não chegou a conhecer a mãe dela?
Algo onde ela possa guardar as lembranças dela, não um objeto que conte as suas. E pergunte depois: “Como ela era?” abre muito espaço.
O que dizer para alguém que perdeu a mãe?
Fale o nome da mãe dela e conte uma lembrança concreta sua. Quase sempre isso basta. Você não precisa explicar nem consertar nada.